Os sabores e dissabores de morar sozinho

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Quando se mora sozinha muita coisa acontece:

Você limpa a casa quando quer, bebe agua direto da garrafa, sai do banheiro sem toalha, fica nu sempre que quiser, cozinha nu, lava louça nu, dorme nu, faz tudo nu.

Lava louça quando quer, come o que quiser na hora que quiser, lava roupa quando não tiver mais jeito mesmo, deixa pra estender a roupa depois que você terminar de assistir um vídeo.. ou cinco.

Coloca a musica no volume que quiser, dança ridículo, afinal ninguém esta vendo.

Dorme tarde, acorda tarde.

Não precisa atender o telefone e nem o portão se não quiser.

Vai no banheiro de porta aberta, toma banho de porta aberta.

Arruma as coisas do seu jeito.

Dá festa quando quiser.

 

Quando você mora sozinho muita coisa acontece.

 

A casa suja muito e você tem que limpar.

A garrafa de agua esvazia muito rápido e você tem que encher.

Tem que secar o banheiro e todo pingado que você deixou no chão pq saiu sem toalha.

Não em ninguém pra pegar a toalha pra você quando você esquece.

A louça na pia acumula e você tem que lavar pra poder continuar comendo e bebendo e não juntar bicho.

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Você tem que lavar sua roupa e começa a economizar e usar a mesma roupa quantas vezes for possível, que além de lavar quer economizar agua.

Pode demorar o tempo que for, é você que vai estender a roupa no varal.

Não tem ninguém pra dançar ridículo com você e nem apreciar sua bela voz fazendo aquele solo da sua música preferida.

Não tem ninguém para te acordar e as chances de se atrasar são enormes.

Você tem que atender o medidor da agua, da luz, o carteiro, se eles passarem e você não ver, vai ter dor de cabeça.

Por mais que você arrume as coisas elas nunca vão estar arrumadas de verdade.

Você percebe o quão parecido com seus pais você é, cria neuroses de fechar a casa, ver se realmente esta trancada.

Você começa a gastar seu dinheiro com “coisas de casa”.

Gastar dinheiro com conta é muito, muito doloroso.

Se você não cozinhar ,você come fora e seu dinheiro vai embora mais rápido ainda.

Seus alimentos estragam com facilidade e você se sente um bosta jogando comida fora. (porque estragam tão rápido?)

Você enjoa da sua própria comida.

Não ter uma rotina de almoço e janta faz mal para o seu corpo e para sua mente.

Você ouve cada barulho que as vezes nem existe mas durante a noite são grandes e perturbadores, você fica escolhendo o que seria pior, um fantasma ou um ladrão.

Você tem que acabar(matar) as pragas na sua casa, formigas, baratas, ratos (Argh!)

Você tem que arrumar tudo que estraga, varal arrebentou? Você que prega, Tv Pifou? Fuça até arrumar, Chuveiro queimou? Acaba de tomar banho gelado até arrumar uma solução.

Você se percebe falando muito mais sozinho, afinal não tem ninguém pra conversar com você.

Não tem ninguém para te contar algo legal quando você esta de mal humor.

Você não pode comentar a novela/série em tempo real com ninguém.

Acabou algo importante? Vai ter que sair para comprar, não importa quanto afim você esteja de sair.

Pãozinho quentinho de manha? Só se você for buscar.

Quando você fica doente não tem ninguém para te mimar.

Se você tem bichinhos em casa, é sua vez de colocar comida, recolher as bostinhas, levar pra passear, no veterinário, brincar, e todas as responsas de “pais” mesmo.

TODO DIA.

Você arruma a bagunça depois da festa.

 

Pense bem antes de tomar essa importante de decisão. É tão bom quanto uma facada no baço

🙂

 

Stop Lola, Stop

stoped Lola

 

Há um mês meu contato de trabalho acabou, depois de dois longos anos de jornada.A decisão em rescindir o contrato de trabalho vinha a muitos meses, aquela insatisfação, estress, insegurança e tudo que carregamos quando pensamos em tomar a difícil decisão de sair do emprego.

Comecei a trabalhar bem cedo, aos 13 anos, desde então, minha jornada tem sido intensa, sempre migrava rapidamente entre um emprego e outro, e em  todos sempre coloquei muita garra, perseverança e busquei “vestir a camisa da empresa”.

Muita vezes, colocava a empresa em primeiro lugar, antes de mim e da minha vida particular.
Estava doente, mas ia trabalhar mesmo assim.
Quebrei a perna, fui buscar trabalho para fazer em casa.
Tive meu pai internado durante 45 dias no hospital, 45 dias que eu intercalava entre trabalhar presencial num dia e no outro trabalhar em casa pra poder conciliar com as visitas no hospital.

Entre várias outras coisas.
O ritmo de vida de quem trabalha em metrópoles é assim, agitado, corrido, [e estressante, é esmagador.
Isso não é coisa especifica minha, nem sua, mas da grande parcela de trabalhadores assalariados e de micros e pequenos empresários também, ter sua própria empresa também exige muito de você, mas vai chegando uma parte da sua vida que você questiona sobre muitas coisas, você pondera muitas outras e altera algumas prioridades na sua vida.
Eu tenho um pouco mais de 15 anos de trabalho, e ainda vou fazer 30 anos, pensar que vou me aposentar daqui a 20 ou 30 anos ainda é um pouco desesperador pra mim.
Depois de tantos anos de correria, invertendo prioridades, conciliando, trabalho, estudos, família, amores, amigos, casa, etc, tem uma hora que seu corpo e sua mente fala: DESACELARA!

Slow Down

E eu desacelerei. Sai do emprego,  diferente das outras vezes eu estou focando um pouco mais em mim, sem aquele desespero em arranjar outro emprego na sequencia, sem o peso de estar em, testar a rotina.

Resolvendo aquelas coisas que nunca temos tempo de resolver, dormindo até mais tarde, tirando algumas séries da gaveta, voltando a escrever, descobrindo novas músicas e composições, aproveitando meus pets, meu avô, minha própria companhia.

 

Estou adorando esse momento e estou procurando não me cobrar demais quanto o tempo que vou ficar fora do mercado, qual será o meu novo emprego, que área devo ingressar agora, etc, etc, etc.
Nos desacelerar já é difícil, mas desacelerar os outros é quase impossível.
Uma semana depois que sai do emprego, falei com ex amiga de trabalho, atualizando como estavam nossas vidas e lá veio a pergunta:

– E ai já esta trabalhando, já esta procurando algo?

– Não, eu ainda nem fiz minha homologação.

Encontrei um familiar que soube que tinha saído do emprego:

E ai, já ta procurando, tem algo em vista?

– Não, não faz nem um mês que sai.

– Ah.. mas minha filha quando ficou desempregada, estava buscando emprego no dia seguinte e demorou 6 meses pra conseguir.

Sim, eu sei o que é procurar emprego no dia seguinte, eu sei também o que procurar emprego trabalhando inclusive, também sei o que é sair de um trabalho e ir o outro assim direto, sem pausa.
Dai você encontra um colega que se surpreende com a sua decisão:

– Nossa pediu as contas em plena crise, minha amiga pediu as contas e já faz um mês que nem é chamada para entrevista.

Stop Lola

Eu juro que entendo essa “pressa” das pessoas em arranjar outro emprego imediatamente pós saída de seus respectivos empregos, lembra eu ja fui assim.
Mas desacelera ai que eu to tentando desacelerar daqui.

Uma dica é, quando encontrar alguém que acabou de sair do seu emprego, do relacionamento, da faculdade, ao invés de perguntar: e ai quando vai voltar? Quando vai arranjar outro? Tente saber o porque, quais os planos da pessoa, não acelere, desacelere a sua vida e a vida dos outros também!

 

🙂